4 de dezembro de 2008

Papa Bento XVI no estádio do Pacaembu, SP



Porque... eu jamais poderia deixar de postar aqui a primeiraaa matéria que fiz.
O propósito dessa, era ajudar o site da Uninove na cobertura do PAPA Bento XVI, em 10 de maio de 2007, no Estádio do Pacaembu, SP.
Ela está no ar (no site da Uninove), mas onde, eu não sei (devido à bagunça que é esse site! rs).
Que pena, pois queria que todos pudessem vê-la na íntegra.
Não ficou tão boa, mas foi assim
que começamos a nossa longa
trajetória na carreira de jornalismo.

Por:
Tamara Beghini
Igor Dias

A festa da Fé no estádio do Pacaembu.

Com quase meia hora de atraso o pontífice chegou a um de seus compromissos mais importantes, no estádio do Pacaembu em São Paulo. Quarenta mil pessoas do lado de dentro do estádio, e aproximadamente seis mil pessoas do lado de fora o aguardavam para acompanhar o evento sendo elas Brasileiras, Uruguaias, Argentinas, e Paraguaias.

A Avenida Pacaembu ainda não estava interditada quando a polícia civil, a guarda metropolitana e a polícia do exército já se posicionavam para conter a multidão que se aproximava para ver de perto o pontífice.

O comércio estava aberto, mas não havia movimento, em alguns edifícios havia cartazes com saudações e mensagens para o Papa. Os comerciantes não falaram sobre prejuízos e consideram a visita do pontífice como um dia histórico para todos.

O trânsito corria bem em avenidas próximas, nas estações de metrô havia sinalização e os seguranças estavam preparados para ajudar. Saindo da estação Marechal Deodoro em direção ao estádio os fiéis encontram boa sinalização e policiamento reforçado; havia até, intenso tráfego aéreo de helicópteros com atiradores de elite.

A estrutura para receber os fiéis possuía: vinte e quatro banheiros químicos sendo quatro pra deficientes físicos, (em falar em deficientes físicos, não havia informações e nem sequer um policial sabia informar o acesso para os deficientes, nem rampas de acesso existia lá) dois postos da guarda civil, dois postos para crianças perdidas e seis postos médicos com equipes de plantão, entre tudo isso uma novidade: a Sabesp colocou a disposição um caminhão-pipa com água potável na Praça Charles Miller oferecendo água gratuitamente.

Para quem não conseguiu convite, do lado de fora do Pacaembu foram instalados quatro telões com caixas de som potentes para que ninguém ficasse de fora, o comércio de ingressos por cambistas era discreto, conseguia-se um convite por setenta reais, mas, somente até as 17h00min. (a última hora para entrar no estádio)

Momentos antes da chegada do Papa e sua comitiva, a Avenida Pacaembu estava interditada e repleta de pessoas encostadas nas grades de proteção, aguardando um momento único: ver de perto o Papa Bento XVI. Ele passou rápido e deu acenos curtos, junto ao Papa-móvel um grande comboio com motocicletas, ambulâncias, carros da polícia federal e até um jipe do exército faziam escolta para que nada de errado pudesse acontecer.

Nenhuma ocorrência grave foi notificada pela polícia, nos postos médicos as ocorrências mais graves foram quedas de pressão e um caso de enfarte que foi solucionado com rapidez.

O comércio de ambulantes não era permitido nas proximidades do estádio, mais alguns conseguiram furar a barreira, mesmo com tanto esforço, não deu certo, os produtos tiveram baixa saída, o carioca Marcelo Costa, de 56 anos, aposentado, saiu do Rio de Janeiro para vender binóculos, chegou com cem peças e voltou com setenta para casa. Entre alguns produtos era possível encontrar: certificado de presença assinado pelo papa, faixas em homenagem e até medalhas do papa que deveriam ser distribuídas gratuitamente como a Polícia informou; mais isso não ocorreu na mesma procedência, vários dos ambulantes te abordavam dizendo se você aceitaria uma lembrançinha do Papa gratuita, eles ficavam te enrolando para dar, até chegar ao ponto de uma leve e discreta pergunta em voz baixa: “Pode rolar uma ajudinha, né? Um real pode ser.” Foi aí que nos manifestamos dizendo que nada tínhamos para contribuir e que estávamos ali como jornalistas para cobrir o grande evento, então ele virou as costas e saiu correndo nos deixando falando sozinhos. O único ponto de vendas permitido era o fast-food Habib’s, com uma única tenda montada no meio da praça, fora isso, se você estivesse com fome ou sede, só a água gratuita mesmo.

As ruas nunca ficaram tão limpas quanto na Chegada do Papa, segundo os garis que lá permaneciam, disseram que não trabalhavam diariamente naquela área, que foram chamados para reforçar na limpeza apenas naquele dia. Luciana Araújo, 23anos, vendedora, diz ser um absurdo a cidade inteira se mobilizar só num dia desses, sua indignação era tão grande que ela faz um apelo às autoridades para não só reforçar a limpeza e segurança da cidade em dias importantes, e sim todos os dias. “Vai ver o estádio do Pacaembu em dias de jogos... e compara com o dia de hoje...”.


O ponto de vista de ambos os lados

“A presença do papa é importante, para dizer que Deus está conosco, Deus é amor. Hoje em dia os jovens confundem o que é o amor. Hoje para o jovem é só sensualidade, sexo livre, amor às drogas... mas isso só afunda o jovem, o Papa vem mostrar o amor ágape, um amor puro, um amor doação... Hoje muito jovem estão se voltando para igreja sim, como pode se ver, isso é provado por todas as irmãs que aqui estão todas elas são jovens, você não precisa virar freira, basta apenas ouvir Deus, seguir ele não quer dizer que você vai ser um cristão triste, você pode ser feliz sim, seguindo os mandamentos da igreja” diz a irmã Maria Rosa dos Santos, 31 anos da igreja Irmãs Carmelitas do centro Cristão.

“Para mim, Deus no céu, o Papa na terra, sigo os mandamentos da igreja como os conformes, digo não a camisinha, não ao aborto e sou feliz assim...” diz o Piauiense Marcelo Ferreira, 23 anos.

Já para Bárbara da Costa, 24 anos, formada no curso de Moda diz que foi para o evento com as amigas para protestar. Elas estavam enfeitadas com uma cruz feita de papelão e camisinhas penduradas no pescoço. “No país que vivemos hoje em dia, com a quantidade de doenças espalhadas por aí, você tem que se prevenir mesmo, esse negócio de tabelinha não adianta de nada. Todos podem amar idolatrar o Papa, mais é um absurdo os jovens não aceitarem isso. A igreja é contra, mas o governo é a favor... Já o aborto, cada um com seus problemas, não discordo, nem recrimino! Ah, estão certos os movimentos gays que aqui vieram para protestar, hoje no Brasil a homofobia é crime! A igreja podia ser um pouco mais flexível, enquanto isso não ocorre, sofremos pequenas represálias, mais continuamos... fazendo sempre valer à pena os nossos manifestos.”

Trabalho realizado para o site da Uninove.


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